terça-feira, 6 de julho de 2010

Diagnósticos de síndrome de Down crescem 71% na Inglaterra

O número de bebes diagnosticados durante a gestação com Síndrome de Down na Inglaterra e no País de Gales aumentou 71% entre 1989 e 2008. Nesse período, houve grandes melhorias nos testes para diagnóstico da condição, assim como um aumento no número de mulheres sendo testadas. Entre 1989 e 1990, houve 1.075 diagnósticos de bebês portadores da síndrome durante a gestação em comparação com 1.843 diagnósticos entre 2007 e 2008. Apesar do aumento do número de diagnósticos, o número total de bebês que nascem com síndrome de Down no país permanece quase o mesmo: são cerca de 750 nascimentos por ano, apenas 1% menos do que há vinte anos. O estudo, feito pela Universidade de Londres, foi publicado na publicação científica British Medical Journal.
O estudo revelou ainda também que o número de casais optando pelo aborto após o diagnóstico permanece o mesmo em relação a 20 anos atrás: 92%.

Falando à BBC Brasil, Joan Morris, responsável pelo estudo, lembrou que embora a proporção de casais optando pelo aborto seja a mesma, o número total de abortos de bebês com Down aumentou. Ela também acrescentou que a incidência de abortos naturais é grande em gestações com Down. No passado, essas gestações não eram diagnosticadas, o aborto acontecia e a ocorrência da síndrome não era refletida nas estatísticas. "Hoje você tem melhores testes, mais mulheres sendo testadas e mais abortos sendo feitos", disse Morris.
As chances de uma mulher ter um bebê com síndrome de Down sobem de uma em 940 se ela tem 30 anos para uma em 85 se ela tem 40 anos. "O que estamos observando é um aumento brusco no número de gestações com síndrome de Down, mas ele está sendo compensado pelas melhorias nos testes", disse Joan Morris. "Acreditava-se que essas melhorias levariam a uma diminuição no número de nascimentos com síndrome de Down. Entretanto, devido ao aumento na idade da mãe, isso não aconteceu". Isso ocorreria porque mulheres mais velhas, conscientes de que suas chances de engravidar novamente são pequenas, optam por seguir em frente com a gravidez e ter o filho com Down.

Fonte: BBC/Brasil, vale a pena pensar o porquê desse mesmo número de abortos ser semelhante a de 20 anos atrás. Possível sinal de que a mentalidade dessas mães (e pais) não evoluíram...
Depressão dobra o risco de Demência
Os peritos sabem que as duas condições (depressão e demência) muitas vezes co-existem, mas não está claro se realmente uma leva à outra.
Agora, dois estudos publicados na revista Neurology sugerem que “depressão significar demência”  é mais provável, apesar de não mostrar o porquê. E os pesquisadores salientam que os resultados apenas revelam uma ligação, não uma causa direta. Eles dizem que são necessários mais estudos para descobrir porque as duas condições estão ligadas.
Eles acreditam que a química do cérebro e os fatores de estilo de vida como dieta e a quantidade de tempo social de uma pessoa exercem um papel importante.
Dr. Jane Saczynski Universidade de Massachusetts, que liderou o primeiro dos dois estudos, disse: “Embora seja claro que a demência provoca depressão, existem várias maneiras da depressão afetar o risco de demência. A inflamação do tecido cerebral que ocorre quando uma pessoa está deprimida pode contribuir para a demência. Determinadas proteínas encontradas no cérebro que aumentam com a depressão também podem aumentar o risco de desenvolver demência.”
Seu estudo, que acompanhou 949 idosos, mostrou com mais freqüência que a demência seguiu a uma “crise” de depressão. Ao final do estudo, 164 pessoas haviam desenvolvido demência. Especificamente, 22% dos que tinham depressão passaram a desenvolver demência em comparação com 17% daqueles que não tinham depressão.
O segundo estudo, entretanto, seguiu 1.239 pessoas nos E.U. e mostrou que com dois ou mais episódios de depressão quase dobrou o risco de demência.
Rebecca Wood, chefe executiva da organização Alzheimer’s Research Trust, disse: “As semelhanças nos sintomas de demência e depressão pode significar que os dois são confundidos às vezes no momento do diagnóstico, mas não sabemos se eles são biologicamente ligados. Os últimos estudos sugerem que pode haver ligações profundas entre demência e depressão por isso temos de expandir a pesquisa para encontrar mais resultados.”
O professor Clive Ballard, da Alzheimer’s Society concorda que mais pesquisas são necessárias agora para estabelecer porque existe a ligação. ”É bem conhecida a depressão que é comum em fases iniciais de demência. O que este estudo mais recente demonstra é que a depressão em uma idade mais jovem é provavelmente um importante fator de risco para a demência”, disse ele.
Fonte: BBC News
reabilitacaocognitiva.org

sábado, 26 de junho de 2010

ABRAFIN - Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional

Questões retiradas da abrafin.org.br para esclarecer sobre a fisioterapia neurofuncional!!

PERGUNTAS E RESPOSTAS:
P - O que é Fisioterapia Neurofuncional?
R - Fisioterapia Neurofuncional é a área da Fisioterapia que atua nas sequelas resultantes de danos ao Sistema Nervoso, abrangendo tanto o Sistema Nervoso Central como o Periférico.
P - Quais pacientes utilizam os serviços do fisioterapeuta neurofuncional?
R - São usuários dos serviços do Fisioterapeuta Neurofuncional, crianças e adultos com sequelas de diferentes complexidades e distribuições corporais tais como hemiplegias, paraplegias, cerebelopatias, disfunções vestibulares, parkinsoninsmo, polineuropatias, miopatias, doenças do neurônio motor, etc.
P - Porquê é necessário que o atendimento fisioterapêutico neurofuncional seja especializado?
R - As síndromes resultantes dos danos ao sistema nervoso diferem entre si dependendo da região atingida.  As disfunções motoras e sensoriais decorrentes de dano neurológico interferem qualitativamente e quantitativamente no desempenho das atividades de vida diária, laborais e de lazer. Assim sendo, o fisioterapeuta neurofuncional precisa ter conhecimento especializado e manter-se atualizado sobre:
• o funcionamento do sistema nervoso e seu potencial plástico,
• as repercussões funcionais das lesões por ele sofridas e
• os recursos fisioterapêuticos de eficácia cientificamente comprovada mais adequados a cada condição.
P - Qual é o espectro de atuação do fisioterapeuta neurofuncional?
R - A complexidade da atuação deste profissional compreende a avaliação, elaboração do diagnóstico cinético-funcional, prescrição e tratamento das alterações neurofuncionais, bem como o desempenho de ações relacionadas à prevenção tanto primária como secundária.
P - Em quais cenários atua o fisioterapeuta neurofuncional?
R - A fisioterapia neurofuncional se aplica a diversos cenários, tais como UTIs, ambulatórios, unidades de internação, centros de reabilitação, centros desportivos adaptados, comunidades, etc.

Estudo sugere terapia (medicamentosa) para reverter problemas de aprendizado em pessoas com Down Criança com Síndrome de Down



Pesquisadores americanos realizaram um estudo com ratos que pode ajudar no desenvolvimento de um tratamento para reverter os problemas de aprendizado associados à Síndrome de Down.
Ao nascer, a criança com Down não apresenta atrasos no seu desenvolvimento, mas logo cedo problemas de memória se manifestam e passam a dificultar o aprendizado.
O novo estudo, publicado na revista científica Science Translational Medicine, aponta as regiões afetadas do cérebro e sugere possíveis formas de resolver os problemas.
Pessoas com Síndrome de Down possuem uma cópia extra do cromossomo 21. A condição é associada a problemas nos centros de memória, dificultando o processo de coleta e uso de experiências vividas para a formação de novas memórias e no processo de aprendizagem.

Estudo
Os especialistas da Stanford University e do Lucile Packard Children's Hospital - na cidade de Stanford, Califórnia - trabalharam com ratos alterados geneticamente para apresentar traços associados à Síndrome de Down. Diferentemente de outros ratos, os animais alterados geneticamente não iniciavam a construção de ninhos quando colocados em gaiolas com as quais não estavam familiarizados.
Os pesquisadores constataram que, nesses animais, células localizadas em uma região do cérebro conhecida como hipocampo não estavam sendo supridas com uma substância química chamada noradrenalina ou norepinefrina, que ajuda as células nervosas a se comunicarem umas com as outras.
O problema parece ser resultante de uma deterioração em outra área do cérebro do rato, o cerúleo, que normalmente se comunica com o hipocampo durante a formação da memória - e estaria, portanto, associado ao aprendizado.
Os especialistas acreditam que a cópia extra do cromossomo 21 que os portadores da síndrome possuem contenha um gene específico - o APP - que interfere no cerúleo.
Mas eles verificaram que o aumento artificial dos níveis de norepinefrina no cérebro dos animais produz um efeito positivo quase imediato no seu comportamento.
O rato começa a construir seu ninho e apresenta desempenhos melhores em outros testes.
 
Remédios Disponíveis
Drogas que agem no sistema da norepirefrina já foram desenvolvidas para tratamento da depressão e síndrome do déficit de atenção. Para os pesquisadores, o estudo traz esperanças de que talvez essas drogas possam ajudar também pessoas com Síndrome de Down. Eles especulam, por exemplo, que um tratamento com a droga certa poderia, talvez, ajudar o aprendizado em crianças com Down.
Os cientistas precisam determinar, no entanto, se o cerúleo estaria associado ao aprendizado também em humanos.
A diretora da Downs's Syndrome Association, Carol Boys, disse que estão sendo feitas muitas pesquisas sobre esse assunto. "Entretanto, vai demorar bastante para que esses tratamentos estejam disponíveis e seguros para uso em seres humanos".

Notícia original:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/11/091119_downsyndrome_therapy_mv.shtml
       

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estratégias para (manter) e melhorar a memória!!!

É importante conhecermos algumas maneiras simples de melhorarmos a memória.  Aqui estão cinco estratégias para melhorar a memória baseados em pesquisas científicas:

1) Sono – O sono há tempos foi identificado por cientistas como o estado em que nossos corpos otimizam e consolidam novas informações adquiridas e as armazenam como memória.  Um novo estudo na Nature Reviews Neuroscience fornece mais evidência de que um sono adequado é um ingrediente chave na melhora da memória.

2) Alimentação – É sabido que uma alimentação ruim afetará negativamente sua memória. Existem fortes evidências científicas que uma dieta rica em Omega-3, vitamina B e antioxidantes é importante para a saúde do cérebro.

3) Relaxamento – Desestressar e meditação são também maneiras cientificamente aceitas de melhorar sua memória.  Num estudo muito divulgado sobre meditação, uma forte argumentação foi feita de que a prática diária da meditação engrossa as partes do córtex cerebral responsáveis pela tomada de decisão, atenção e memória.

4) Exercícios Físicos – Um estudo recente da Universidade da Pennsylvania sobre exercícios e memória descobriu que pessoas que praticavam rotineiramente exercícios com atenção mostraram melhorias mensuráveis em “desempenho cerebral”.  Um dos autores do estudo relatou que “Memória de trabalho é uma característica importante do desempenho cerebral. Não apenas ela protege contra distração e reações emocionais, mas ela também oferece um espaço mental para garantir decisões e planos de ação rápidos e raciocinados. Desenvolver desempenho cerebral através de treinamento com atenção pode ajudar qualquer um que precise manter um desempenho de ponta face a circunstancias extremamente estressantes...”

5) Estímulo Cognitivo – Finalmente, não é nenhum segredo que participar regularmente de treinamento cerebral ajuda a melhorar a memória.  Num estudo publicado pelo Dr. Bernard Croisile sobre a ferramenta utilizada pelo Cérebro Melhor, os resultados dos usuários foram analisados após completarem 500 exercícios ao longo de 18 semanas. Na média, esses usuários melhoraram sua memória em 13,9%, com uma melhora geral de 15,6% nas habilidades cognitivas. Resumindo, desafiar sua memória com os jogos do Cérebro Melhor foi comprovado cientificamente que melhora a memória.

Dicas para implementar essas cinco simples estratégias de melhoria da memória:
• Vá para a cama um pouco mais cedo para dormir mais;
• Comece a comer mais comidas ricas em Omega-3, vitamina B e antioxidantes, como peixe, abacate e castanha;
• Leia um livro sobre meditação e/ou se inscreva numa aula e experimente;
• Se você já não está exercitando pelo menos três vezes por semana, comece fazendo caminhadas de 20 minutos até que você tenha condicionamento suficiente para expandir seu programa de exercícios;
• Faça exercicios cognitivos!!
Quer saber como!! Entre em contato com nosso Serviço e descubra!!!!
Abçs!!!
 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aprender é modifcar as sinapses

Você não lembra disso, mas um dia você não soube fazer algo tão simples quanto olhar um objeto e estender a mão para alcançá-lo por livre e espontânea vontade. Muita coisa mudou no seu cérebro desde então, e a capacidade que lhe permite hoje escrever seu nome, fazer coisas complicadas ao computador e dirigir seu carro tem nome: aprendizado.

Sem o aprendizado - ou seja, a capacidade do cérebro de mudar seus circuitos e modo de funcionar conforme suas próprias experiências são bem ou mal sucedidas, estaríamos fadados a viver com as funções com as quais nascemos, e nada mais.

O que exatamente acontece no cérebro durante o aprendizado? As sinapses, pontos de troca de informação entre neurônios, mudam. As que foram usadas com sucesso são fortalecidas, enquanto as que levaram a erro ou não serviram para nada são enfraquecidas, algumas a ponto de atrofiarem e desaparecerem. Além disso, novas sinapses também podem aparecer - e um estudo recente mostra que isso pode acontecer mais rapidamente do que se imaginava.

Em estudo publicado em novembro de 2009 na revista Nature, pesquisadores dos Estados Unidos testaram o aprendizado motor em camundongos e constataram que ele leva a uma rápida formação de novas sinapses no cérebro de camundongos adolescentes e até adultos. Tonghui Xu e colegas, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, estudaram camundongos de 1 mês de idade – considerados adolescentes – e outros de mais de 4 meses de idade, já adultos. Os animais eram colocados em gaiolas onde aprendiam a alcançar sementes através de uma fenda. Menos de uma hora depois de aprenderem a tarefa, já se encontrava um número significativo de novas conexões formadas entre neurônios do córtex motor do lado do cérebro responsável pelos movimentos aprendidos, mas não no córtex do outro lado, que não havia sido usado na tarefa. Esperava-se que a formação de sinapses novas levasse dias para acontecer. No entanto, o estudo de Xu e sua equipe mostra que o remodelamento estrutural das sinapses acontece quase imediatamente. Aprender, portanto, é mudar o cérebro – e na mesma hora.

Com o mesmo aprendizado, camundongos jovens ganharam mais conexões novas do que os adultos, sobretudo aqueles jovens que haviam aprendido melhor a tarefa. Mas pessoas de mais idade, não temam: os adultos no estudo também ganharam novas sinapses - apenas não tão rapidamente quanto os mais jovens.

Ao mesmo tempo em que o aprendizado leva à formação de novas sinapses, outras são perdidas: o resultado do aprendizado não é um aumento no número total de sinapses, mas uma mudança no conjunto de sinapses existentes. Em cerca de duas semanas, o número total de sinapses já está de volta aos níveis anteriores ao aprendizado – embora as sinapses agora sejam outras. Sinapses que já eram estáveis, que podem ser a base da memória motora duradoura, aparentemente não são perturbadas pelo aprendizado – o que ótimo: assim você não esquece como andar de bicicleta se começar a fazer aulas de dança! (SHH, 15/04/2010)

Fonte: Xu T, Yu X, Perlik AJ, Tobin WF, Zweig JA, Tennant K, Jones T, Zuo Y (2009) Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories, Nature 462, 915-9.

Cochilo - turbinando o cérebro!!!

Uma nova pesquisa proveniente da Universidade da Califórnia, Berkeley, sugere que tirar um cochilo de uma hora tem um efeito positivo no desempenho do cérebro. Este benefício é devido a sua mente liberar espaço de armazenagem temporário enquanto você descansa. Quando este “espaço de armazenagem” está disponível, ele aumenta sua capacidade de absorver novas informações que chegam.

Entretanto, esse estudo sugere que tirar cochilos não apenas refresca a mente, mas pode tornar você mais inteligente também. O Dr. Matthew Walker, autor principal do estudo, afirma que “Dormir não apenas conserta o que fica errado quando você se mantém acordado por um tempo prolongado mas, num nível neurocognitivo, leva você além de onde você estava antes de tirar um cochilo.”
O estudo foi conduzido com 39 jovens adultos saudáveis voluntários, colocando-os em dois grupos: o grupo do cochilo e o do sem cochilo. Exigiu-se dos dois grupos realizar tarefas complicadas baseadas em informações no meio do dia. Na tarde, o grupo do cochilo foi permitido descansar por uma hora e meia enquanto o grupo sem cochilo não foi. Não surpreendeu que o grupo que foi permitido o descanso desempenhou melhor que o outro grupo. Entretanto, o que surpreendeu é que este grupo desempenhou melhor do que eles tinham desempenhado no começo do dia (antes do cochilo).
Acredita-se que na medida em que ficamos cansados ao longo do dia, regiões do cérebro que são vitais para armazenar novas informações começam a desligar. Segundo estudos prévios, acredita-se que o hipocampo armazena temporariamente as memórias baseadas em fatos antes de enviá-las para a região do córtex pré-frontal do cérebro para arquivamento. Se você imaginar seu hipocampo como um balde, eventualmente esse balde fica cheio (de informação). Esse estudo recente do Dr. Walker sugere que é durante o descanso que somos capazes de limpar essa informação e arquivá-la. Entretanto, se esse balde (seu hipocampo) ficar cheio antes que você possa dormir, torna-se mais difícil capturar as informações que chegam porque não há onde colocá-las.
É sabido que nosso sono torna-se menos eficiente à medida que envelhecemos. Como a comunidade científica continua a aprender como o sono afeta o cérebro, nossa esperança é que isso ajude a compreender melhor doenças neurodegenerativas como Alzheimer e outros distúrbios cognitivos. Nesse meio de tempo, garanta um bom sono e, se sua rotina permitir, alguns cochilos à tarde também. O médico recomenda.

fonte: cerebromelhor.com.br

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Superação na Mídia

Alexandra Lebelson Szafir sempre foi uma mulher inquieta. Nem mesmo a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa que a impede de falar e movimentar qualquer parte de seu corpo (a não ser os olhos e o nariz) fez a advogada criminalista de 42 anos desistir de trabalhar. Nesta segunda-feira (31), às 19 h, no Iate Clube de Santos, em Higienópolis, região central de São Paulo, ela lança “Descasos: uma advogada às voltas com o direito dos excluídos” (Editora Saraiva, 82 páginas), seu primeiro livro.
O livro foi escrito com uma ajuda especial: um software que dá ao nariz de Alexandra a possibilidade de mover o mouse e teclar. O processo levou dois anos, período em que nunca parou de trabalhar. Ela é sócia de um escritório na capital.
O atendimento gratuito a pessoas que jamais poderiam pagar por um advogado também nunca parou. E foi nesse universo de renegados que a advogada foi buscar as histórias do livro. Em 21 capítulos, ela narra de forma simples e bem estruturada o descaso com que a Justiça pode tratar aqueles pelos quais deveria zelar.
São casos como o de um jovem paraplégico – após ser baleado pela polícia e que necessitava de cuidados médicos constantes– e que a promotoria insistia em colocar atrás das grades mesmo sem poder garantir sua integridade. As idas e vindas da cadeia de “Lady Laura”, uma senhora de 75 anos com claros problemas mentais.
Ou ainda a prisão de um acusado que morava na favela e não teve seu endereço encontrado por um oficial de Justiça, o que o levou à prisão. A narrativa de Alexandra corre solta e revela histórias de pessoas tratadas como não humanos.
No entanto, Alexandra dá mostras de porque é inquieta. Não se rende à generalizações, prefere buscar saídas para o labirinto em que a Justiça parece se perder. “Não diria que o Judiciário é desigual; as pessoas têm essa impressão porque geralmente só os casos de pessoas de classe social mais alta são noticiados pela imprensa”, afirma, em entrevista.
“Mas quando esses casos são confrontados com o de uma pessoa pobre na mesma situação jurídica de um rico, os tribunais o tratarão da mesma forma. Basta lembrar que quando o Superior Tribunal Federal (STF) limitou o uso de algemas, em um caso em que se tratava de um humilde pedreiro”, afirma.
A renda do livro de Alexandra será revertida para a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA).

fonte: G1, globo.com

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Concreto e Abstrato - Representações Cerebrais

Por definição, concreto é o que se pode experimentar sensorialmente, enquanto abstrato, o oposto. Para entender como o cérebro representa esses tipos de conceitos, um artigo publicado na revista Human Brain Mapping em 2010 reuniu e analisou dados de 19 estudos de neuroimagem sobre como o cérebro lida com o abstrato e o concreto.
Lidar mentalmente com conceitos abstratos ativa mais fortemente o giro inferior frontal e o giro temporal médio, ambos do lado esquerdo, relacionados ao processamento verbal, do que conceitos concretos. Por outro lado, lidar com conceitos concretos aumenta a atividade no córtex precúneo esquerdo, giro para-hipocampal, cingulado posterior e giro fusiforme – áreas envolvidas com a percepção sensorial. O estudo sugere, portanto, que ambos os conceitos concretos e abstratos teriam uma representação comum verbal, enquanto os concretos teriam uma representação adicional por visualização mental, semelhante a uma experiência sensorial, mas que ocorre mesmo na ausência do estímulo externo.
A diferença de tratamento cerebral dedicado aos dois tipos de conceitos pode explicar como as palavras concretas são aprendidas mais cedo e reconhecidas mais rapidamente, por exemplo, graças à possibilidade de se formar imagens mentais desses conceitos: é mais fácil visualizar mentalmente um martelo do que a liberdade. (ACMAC, 25/05/2010)

Fonte: Wang J, Conder JA, Blitzer DN, Shinkareva SV (2010) Neural representation of abstract and concrete concepts: A meta-analysis of neuroimaging studies. Human Brain Mapping 27.

Direito a Inteligência!!

Entrevista, antiga até, com o grande educador romeno Reuven Feuerstein!!!
                                                                   www.icelp.org
Quando convidado para o cargo de secretário de Educação da Bahia, Eraldo Tinoco já tinha um projeto ambicioso: aplicar a toda a rede pública o método de construção da inteligência do educador romeno Reuven Feuerstein, que conhecera por meio de uma reportagem publicada em ISTOÉ ("Deixe-me pensar", edição 1496, de junho de 1998). A máxima de que todas as pessoas, em todas as idades, podem aprender e a crença de que o cérebro é modificável difundidas pelo professor lhe pareceram a solução para melhorar os resultados escolares de um dos Estados mais ricos do Nordeste.

A Bahia deu um passo decisivo para isso. Na terça-feira 27, durante uma conferência para cerca de dois mil educadores em Salvador, Feuerstein assinou com a Fundação Luís Eduardo Magalhães um acordo para utilização e aplicação de seu método por dez anos. "Criaremos know-how e mudaremos toda a rede, resgatando o orgulho da escola pública", disse o secretário. Na segunda visita ao Brasil, Feuerstein, 80 anos, também mostrava entusiasmo. "É a primeira vez que um governo entende que a inteligência é um direito e assume o dever de proporcionar condições para desenvolvê-la", comemorou o ex-discípulo de Jean Piaget com a vivacidade de menino. Iniciado com crianças sobreviventes do Holocausto, seu método tem sido aplicado em mais de 40 países e se concentra na figura do mediador, aquele que enriquece a realidade imediata com novas informações e significados.
Em Salvador, Feuerstein falou a ISTOÉ:


ISTOÉ – Há outro projeto tão amplo quanto este da Bahia?
Reuven Feuerstein – Nos Estados Unidos talvez tenhamos duas mil classes, em Israel treinamos a cada ano 1.500 professores de vários países. Mas o interessante neste projeto não é o tamanho, e sim a orientação para a qualidade e a transformação do sistema educacional. Não se trata da iniciativa de uma escola ou de um grupo, mas de uma rede de ensino. É ambicioso, não na execução, mas na intenção. O processo é longo, mas vamos criar uma atmosfera escolar que dê a cada criança uma forma específica de desenvolvimento. Também haverá em Salvador um centro de treinamento do método.

ISTOÉ – No interior, temos professores com pouca formação. Como aparelhar esses profissionais?
Feuerstein – Quando comecei a preparar o programa, alguns supervisores queriam escolher para mim os melhores professores. Eu disse: "Não, muito obrigado. Mandem-me os professores que mais precisam de mim." Com treinamento apropriado, professores sem especialização ou formação universitária podem ajudar. Temos que dar a eles poder. Isso exige investimento, mas o retorno é grande. Trabalhamos com professores da África do Sul que nem sequer terminaram a escola secundária e eles fizeram um trabalho maravilhoso. Com o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI), o professor se torna capaz de produzir o próprio desenvolvimento.
ISTOÉ – Para se tornar um mediador é preciso voltar a ser aluno?
Feuerstein – Somos sempre aprendizes. Ao professor falta a técnica certa. Ao oferecer a teoria da aprendizagem mediada lhe ensinamos como deixar uma criança pronta para aprender a matéria, como torná-la alerta e interessada e fazê-la ir além do que aprendeu.

ISTOÉ – Um breve curso intensivo, como o do projeto piloto em Salvador, é suficiente para dar resultados?
Feuerstein – Os coordenadores pedagógicos tiveram 80 horas de treinamento. Aprenderam que as crianças podem ser modificadas, que não devem ser vistas como limitadas e que não se abandona uma criança com dificuldades. Para aplicar o PEI, os mediadores têm que passar por 230 horas de curso. As crianças não foram submetidas ao PEI. Elas passaram por um diagnóstico do potencial de aprendizagem e de mudança. Sentem que mudaram, mas essa transformação não é permanente. Criamos apenas uma amostra. Cabe aos professores desenvolver o sentimento das crianças de que são capazes de mudar. Depois que aprendem o quanto podem aprender, damo-lhes o PEI.

ISTOÉ – Qual é a dificuldade do professor em ensinar?
Feuerstein – Ele não entende como funciona a mente da criança. O professor aprende a matéria, mas não a descobrir o que se passa com a criança, os processos mentais que estão falhando. Temos que interpretar os erros como uma língua. O método capacita o professor a decifrar o que está acontecendo na cabeça da criança, se há ansiedade, impulsividade, se o problema está na elaboração.

ISTOÉ – Observar cada criança é difícil numa classe grande. Como o método funciona em grande escala?
Feuerstein – O PEI permite elaborar os problemas em grupo. Os exercícios estão estruturados de maneira a evidenciá-los e as crianças são orientadas pelo mediador. O programa aponta dificuldades específicas. A atividade em grupo permite a interação. Cada criança fala de suas dificuldades e experiências, isso cria uma atmosfera de enriquecimento. A experiência de um serve ao outro.

ISTOÉ – Seu método enfatiza a recuperação da auto-estima. É preciso cuidar do emocional?
Feuerstein – É fundamental. Em cada comportamento, temos os dois lados de uma moeda, o cognitivo e o emocional. Acrescento que essa moeda é transparente, se você olha do lado da cognição, vê o reflexo do emocional e vice-versa. Ensinamos as crianças a serem capazes e hábeis, damos o sentimento de competência e desenvolvemos a necessidade de compartilhar experiências.

ISTOÉ – Que progressos obteve com crianças portadoras de deficiências?
Feuerstein – Tratamos, em Israel, de 250 com síndrome de Down e boa parte pôde ir à escola regular. Temos autistas e meninos com lesões cerebrais. O trabalho só funciona há nove meses, mas muitas dessas crianças nem falavam e algumas já falam e lêem. Alex, por exemplo, é um garoto que tinha a parte esquerda do cérebro atrofiada devido a um problema vascular. Ele não falava até os nove anos, aí foi retirada essa parte do cérebro e conseguiu falar, mas não conseguiu aprender a ler e escrever. Aos 16, ele nos foi trazido e ninguém acreditava que fosse capaz. Hoje, três anos depois, está em treinamento para professor de Enriquecimento Instrumental.

ISTOÉ – O sr. ainda crê que não existe determinismo genético.
Feuerstein – Há 40 anos eu rezei pedindo para poder mudar o cérebro. E esperei. Agora, sei que isso é possível. Hoje sabe-se que as atividades que impomos ao nosso cérebro o transformam.

ISTOÉ – A criança bem-nascida tem mais chances do que a subnutrida?
Feuerstein – As condições alimentares afetam as crianças, mas os efeitos nem sempre são eternos. O ser humano tem capacidade de reversão. Há pessoas que nascem com má herança, mas superam as limitações. Trabalhamos com um grupo de crianças da Etiópia que cresceu sem nenhum tipo de estímulo, sem escolas, canetas, livros ou televisão. E elas aprendem, às vezes, mais rapidamente que os bem-nascidos porque estão habituadas a lutar pela sobrevivência.

ISTOÉ – Há escolas e pais ocupados em formar gênios com programas de estímulos desde a fase de bebê. O que isso pode causar?
Feuerstein – Isso é idiotice, é terrível. A criança que está apenas exposta a estímulos não será beneficiada se não houver alguém que agregue conhecimento a isso, um mediador. Quando a criança olha para uma lâmpada e chamamos a sua atenção para a forma, a cor, estamos mediando. Caso contrário, ela vai olhar sem entender nada.

ISTOÉ – Uma mãe sem instrução pode ser uma boa mediadora?
Feuerstein – Maravilhosa. Minha mãe foi boa sem ler minha teoria. A interação da mãe com o bebê, seu rosto, sua expressão, seu modo de acalentá-lo, a todo momento ela está passando informações. Os pais não sabem mais quais são os seus papéis. Temos que mostrar que eles fazem a diferença.

ISTOÉ – Tem havido muitos episódios de violência infantil e adolescente. O que está errado?
Feuerstein – Eu estava nos EUA quando aconteceu aquela tragédia de Denver, Colorado. O grande problema é que não houve quem lhes passasse valores. Faltou-lhes um bom mediador. Na televisão, temos as cenas de violência em que se faz mal a alguém e todos riem. O que isso significa? Não sabemos que isso é causar dor ao outro? Mas o problema não é só a violência. Os jovens vivem num mundo sem passado, não têm história, e sem futuro, não há projeções de vida. Eles não têm horizontes, vivem pelo aqui e agora.

ISTOÉ – Qual foi o primeiro estímulo para o seu trabalho?
Feuerstein – Nem mesmo o meu psicanalista conseguiu descobrir isso. Mas até onde consigo lembrar, eu tinha sete anos quando comecei a ensinar. Eu comecei a ler aos três anos e aprendi em três línguas, em iídiche, língua da minha mãe, em hebraico, a do meu pai, e em romeno, do meu país. Quando eu tinha oito, me mandaram um garoto de 15 que não conseguia aprender a ler e eu consegui, na Romênia, ensiná-lo a ler em hebraico. Como? Ensinei-o a ler uma prece. E aí não parei mais. Quando adulto, estive num campo de concentração e depois trabalhei com crianças sobreviventes do Holocausto. Elas tiveram que aprender por que viver e o próprio aprendizado era uma razão. Estávamos numa escola agrícola e as crianças acordavam às 4 horas para ordenhar as vacas. Quando voltavam, vinham ao meu quarto para estudar Filosofia. Até hoje lembramos o que aprendemos nesses momentos e já não somos mais crianças


A mudança já começou

A Bahia tem 17,7% de evasão escolar e 14,2% de repetência e apresenta um descompasso notável entre a idade da criança e a série escolar. Dos 3,5 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental de primeira a oitava séries, 1,1 milhão tem mais de 14 anos e, desse, cerca de 110 mil estão na primeira série. Quase 35% dos 492 mil alunos do ensino médio também têm acima da idade prevista para seu grau, sem contar que 72% dos professores públicos possuem apenas o segundo grau. Para reverter esse quadro, nos primeiros cinco anos o governo pretende envolver no projeto de aplicação do método de Feuerstein cerca de 450 mil alunos do ensino médio e 50 mil professores, 2,5 mil dos quais agirão como multiplicadores. Os alunos serão submetidos durante o primeiro e o segundo ano a 210 horas do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) e os professores, em especial os de Matemática e os de Português, dividirão sua carga horária entre as aulas do currículo e a função de mediadores.

Na segunda etapa, pretende-se beneficiar 300 mil alunos por ano, alcançando ao fim do projeto um total de quase dois milhões de crianças e adolescentes. Nem mesmo Feuerstein, que mantém o Centro de Desenvolvimento de Aprendizagem em Israel, viu uma iniciativa desse porte. Com a assessoria das professoras Rosa Maria Assis, que dirige um centro habilitado para ensinar o método em Belo Horizonte (MG), e Ruth Kaufman, que trabalha há 17 anos com Feuerstein, foi desenvolvido em Salvador um projeto piloto com 20 estudantes e 23 coordenadores pedagógicos. Os alunos foram somente submetidos ao processo de diagnóstico e mostraram, num encontro com Feuerstein, que a simples apresentação das bases do método já traz benefícios. Tiago Sacerdote, 17 anos, cursa o primeiro ano do ensino médio e sempre teve dificuldades em Matemática. Repetiu a quinta e a sexta séries e nas outras passou raspando. Submetido ao diagnóstico do projeto piloto, descobriu que sua dificuldade não era um destino. "Eu achava que nunca iria aprender. Tinha pavor de Matemática e na prova dava branco. Já fiz uma prova e consegui responder a quase todas as questões", conta animado.

Fonte: Revista ISTO É - 12/05/1999