terça-feira, 10 de novembro de 2009

HABILIDADE ESPACIAL PODE SOFRER DANO ANTES DA MEMÓRIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é primeiramente associada à perda da memória, um dos seus principais sintomas. No entanto, um estudo publicado no “Archives of Neurology”, periódico da Associação Médica Americana, mostrou que a perda de habilidades espaciais como montar um quebra-cabeças ou ler corretamente um mapa pode ocorrer antes da manifestação de dificuldades relacionadas às recordações.
Para o trabalho, pesquisadores da Universidade de Kansas (EUA) acompanharam 444 pessoas por seis anos, em média. Os voluntários passaram por testes de habilidades visuoespaciais e por avaliações de memória e de cognição.
Desses pacientes, 134 desenvolveram demência 44 tiveram o cérebro examinado após a morte e foi confirmado o diagnóstico de Alzheimer. Os pesquisadores observaram que a perda das habilidades visuoespaciais se manifestou até três anos antes do diagnóstico clínico de demência chamada de fase pré-clínica da doença.
“Até hoje, acreditava-se que a manifestação mais precoce na fase pré-clínica, para fazer diagnóstico em um grupo de risco, envolvia a questão da memória. As pesquisas partiam mais para tentar encontrar um subtipo de memória que indicasse a demência antes”, diz o geriatra José Marcelo Farfel, do hospital Albert Einstein.
Segundo a patologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da USP, estudos já mostraram que a doença de Alzheimer afeta de forma muito precoce áreas do cérebro envolvidas com a localização espacial. “Algumas questões visuoespaciais até existem no diagnóstico clínico, mas, ainda assim, sempre priorizamos a memória”, afirma.
Atualmente, a perda da memória episódica (de curta duração) é considerada o sinal mais precoce de predisposição para a doença. “O trabalho é pioneiro pela análise estatística. Sabíamos que, quando há falhas na memória episódica, a doença não estava mais na fase inicial, por isso são desenhados novos estudos para ver sintomas delicados que sinalizam a doença antes”, diz Grinberg.
Visão e espaçoO estudo indica um possível marcador mais precoce da doença, mas que ainda só é apontado por meio de testes neurológicos complexos.
“É importante ressaltar que essas alterações são muito delicadas, difíceis de perceber no dia a dia. O próximo passo, após o trabalho, é desenvolver escalas mais simples para verificar essa habilidade”, diz Grinberg.
As habilidades visuoespaciais estão relacionadas à localização espacial –como estar em um supermercado conhecido, mas não achar a prateleira de certo produto.
Atividades que exijam uma noção em três dimensões também podem ser prejudicadas caso haja declínio nesse domínio. “Para o mecânico que desmonta e monta partes do carro, isso se torna mais difícil”, exemplifica Grinberg.
Para Farfel, o marcador possibilitará que o paciente seja acompanhado mais de perto, mas ainda não foram estabelecidas intervenções específicas para a fase pré-clínica da doença. “Fizeram estudos com remédios para Alzheimer em pessoas com transtorno cognitivo leve, mas as drogas não impediram a evolução da doença”, diz.
Por isso, essas pessoas devem seguir recomendações gerais para reduzir o risco de demência, como controle de pressão e de diabetes, prática de atividades físicas e manter vida intelectual e social ativa. “Isso pode ser recomendado com mais intensidade para quem apresentar perda nesses domínios.”
Fonte:
Vida de Alzheimer e Folha de S. Paulo.

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